sexta-feira, 25 de julho de 2014

Escolha ser feliz


           Antes de me deitar eu faço uma breve reprise do dia, uma pincelada do vivido, e uma recapitulada da vida. Cada coisa que nos acontece que as vezes não sei se devo me sentir agradecido ou apenas olhar  pro céu e perguntar o por quê das coisas. Em alguns momentos o fardo é pesado. Mas como sempre nos dizem: "Deus não lhe dá uma cruz no qual você não aguenta carregar". Futilidade! 
           Em meus sonhos você é a minha cruz, o meu pecado e desejo. Pode ser loucura da minha parte, mas cada dia isso tem deixado de ser um desejoso capricho e se transformado em uma escolha. Para mim, a escolha de querer continuar investindo nesta conquista. Para você, a escolha de deixar eu lhe fazer feliz.
           Por trás te pego, te cheiro, te afago e te desejo. Te viro... te olho, te sinto, te desejo. A tua respirada é o meu oxigênio. Não quero mais ser dependente desse ardente desejo. 
          Na cozinha percebemos a casa vazia e observamos a mesa. Os pratos voam, os copos se quebram ao se chocar contra parede, e os talheres viram testemunhas do nosso amor. Te deito, te reviro, te cheiro, te sinto, te desejo... te vivo. E sussurro em teu ouvido: "Me deixa te fazer feliz?"
         Piro ao imaginar que tudo isso não se passa de apenas um simples sonho e sim, de uma escolha. E caso a sua não seja coerente com a minha, irei me martirizar com a cruz desse pecado que é amar. Com o peso da cruz no lombo, irei seguir o meu caminho, irei me distanciar, irei saciar o meu desejo de amar além do horizonte onde por do sol encontra um novo mundo à nascer. 
        Sei que amor próprio é fundamental, mas não nos fará mal nenhum nos darmos a oportunidade de sermos amados por outro. Nos dê a oportunidade, nos dê a chance. Deixe me lhe fazer feliz? Deixa eu te fazer feliz?
       Quem se declara corre apenas um risco, de ser feliz!

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Imagem distorcida: toda ação gera reação


            Daí você se vê debaixo de um chuveiro observando as águas lavarem o teu corpo e, escorrendo toda sujeira pelo ralo. A água lava tudo, só não lava a sujeira da alma. Você passa o teu perfume favorito, e se deita. Naquele momento se pega a olhar para o teto e pensar o que você fez na vida, e o que a vida fez em você.
            Em momentos como este o tudo e o nada são encaradas de forma paralela, e você ali meio a uma linha tênue, o vaco. Aquele momento em que não se sente o corpo, os dedos, os olhos. Só se vê a imensa escuridão do quarto com a sensação de flutuar deitado no espaço.
            O espelho não reflete mais você. A imagem que se vê é desconhecida. Não aquela moldada e planejada na tão sonhada fantasia de criança. Vejo uma imagem de lápide, uma imagem de desmoronamento e renovações. Somos seres de uma natureza artística, como jus, somos uma arte lapidada pelo tempo.
            A visão cansa, o corpo cansa, a imagem cansa. E flutuando nesse espaço negro ainda tenho esperança de que irei encontrar a luz, e me banhar da fonte que possa lavar minha alma. As águas do perdão, águas da desculpa, as águas da compaixão que possam nos dar a chance de ser novos. No fundo só o que queremos é um recomeço. Uma nova chance.

domingo, 15 de junho de 2014

Desistindo de você


        Como tempo você vai percebendo que não foi suficiente o tempo que se doou. Que há situações e momentos em que o peso já não é mais suportado. E há apenas uma vontade, bater a porta e fechar a luz. Estou com a sensação de que tenho que deixar a cena, sem esperar pelo blackout, sem se despedir da platéia. Minhas necessidades de fuga são mais urgentes, preciso deixar você. Então, considere que essa seja uma carta de desistência. Sim, desistência!
          Cansei de esperar pelo tempo que não chega, pelo meu favoritismo, pela sua mudança. Creio que a espera da sua mudança seja o real motivo de todo esse cansado texto. Estou te pondo em uma caixa velha que ao certo, tenho minhas dúvidas se irei guardar ou não. Taí outra coisa que estou cansado, de guardar velharias que venham de você.
         Queria te dizer que estou levando na mala apenas o que são meus, e confesso que sem você as coisas ficam mais leves. Vou seguir o meu caminho adiante. As coisas que deixei prefiro que sejam jogadas no fogo, queime as suas mentiras, sua falsa amizade, suas desconfianças e me jogue junto. Talvez essa história não seja essa total frieza, com o tempo fui vendo que apenas não tive motivos para ficar. A cada dia me distancio mais.
          To desistindo daquelas lembranças que talvez você nem se lembre, mas me bastava. Tô desistindo de quem eu amo, cuido, consolo e de quem que me fez ver que a cada dia nossos caminhos estão diferentes. Estou desistindo quando não queria mais desistir.
          Diz alguma coisa enquanto eu fico calado. Diz alguma coisa enquanto eu desisto de tudo, diz que eu não preciso desistir de nóis. Diz e me impede! Enquanto você não diz nada, eu vou desistindo e indo embora.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Há Amores E Amores


    Sempre fico na duvida qual é a medida certa do amor, do afeto, do apaixonar-se, da paixão. Já amei diversas vezes de formaturas diferentes.  Já me apaixonei por um sorriso, por um olhar e até por um jeito de ser.
                Creio que um dia eu irei saber qual será a minha paixão “pra sempre”. Sinto falta de acordar pelas 6hs abraçado com você, sentindo o ardor de suas costas com as pontas dos meus lábios. Me apaixonei somente pelas tuas costas, foi engraçado. Mas de sexo já me apaixonei diversas vezes, e não foi com você; com você, só tuas costas.
                Já amei uma irmã e tive afeto com um irmão. No final acho que tudo é paixão. Mas nos êmbolos da emoção de uma mente, isso se torna perigoso com emoção. Pena ser a língua do povo que não sabe entender o que é uma paixão. Paixão de irmão! Prefiro me desapaixonar de onde sou mal interpretado. Mesmo assim não me traumatizo. Prefiro viver a emoção de amar.
                Amei um sorriso, amei uma inteligência, já me apaixonei por um corpo; que dentre outros justo este, não se encontrou com o meu. Amor psicológico, não vai me dizer que você nunca teve? E o amor pelo espelho...? Voyer de eu mesmo.  
                No final das contas queremos apenas conversar, ser ouvidos ou, simplesmente dar conselhos. Queremos amar quem nos ama. Já amei quem me amou, por ironia do destino também amei um vagabundo no mesmo período, como eu me apaixono por uma aventura já viram qual amor falou mais alto. Enfim, acho que tenho que amar... No infinitivo com reticências. Ultimamente estou amando uma pessoa, que preferi não saber o nome. Não por segredo, mas por amar uma aventura.

                Creio que um dia eu irei saber qual será a minha paixão “pra sempre”.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Tua Visita

                 

                  Deitado em minha cama adormeço em sono leve. Senti tua mão me tocando, tua respiração em minha nuca e o ar da tua boca querendo dizer algo bem baixinho. Fascinante é o momento que me viro e nossos olhos se encontram. Acho que por esta porta da alma você já me disse tudo o que gostaria de dizer.
                  Sinto que dessa vez tenho uma nova chance, sinto que temos alguma chance, vejo que temos àquela nossa chance. E esta chance tem uma inviolabilidade que ninguém pode tirar, porque este momento pertence somente a mim, à nós.
                  Vamos aproveitar a tua visita e por o som no último volume. Vamos pular na cama? Não, que tal brincarmos de adivinha? Adoro faze-lo rir. Amo o jeito que você sorri.
                  Tantas coisas passam em minha cabeça quando tua figura se apresenta em minha presença, principalmente desta forma tão espontânea, na forma de uma visita. Já sei! Vamos cantar? Não! Vamos gritar, que tal? Ah sei lá, vamos fazer alguma coisa, vamos acordar os vizinhos poxa. Eu quero cantar, eu quero gritar, eu quero sorrir e gargalhar. Quero fazer tudo e mais um pouco mas, olhando para tua face.
                    Caraca! Como é bom quando você se apresenta em minha presença, principalmente desta forma tão espontânea, na forma de uma visita. Gostaria de te aproveitar mais, sinceramente, ficaria feliz em te aproveitar de uma forma que não precisasse pegar no sono para te ver, para te sentir, para te ver sorrir.
                    Sentir tua mão me tocando, tua respiração em minha nuca e o ar da tua boca querendo dizer algo bem baixinho em meu ouvido; é algo que não se encontra em todos os sonhos de mundo.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

A Culpa


Hoje me vejo caminhar sozinho, e do outro lado da rua você passa com o remorso e a culpa como teus amigos. E a vida é assim, um dia somos a caça e no outro caçados.
Sei que habito no teu silêncio. Habito naquele momento em que tenha que ficar sozinho, que bom que não estou só, pois na tua cabeça teus problemas e essas merdas que você chama de soluções me fazem companhia.
Teu rosto e corpo aparentam um peso que o seu corpo não apresenta. Sua respiração é agonizante, sinto a que as palavras com dúvidas tentam sair, mas você insiste em prendê-las e só deixar o afago. Sei que estou vivendo em teu tempo de ócio, vivo em constantes interrogações de ‘por quês’ em tua mente. As palavras só não saem junto com a tua pesada respiração por culpa, a culpa que você carrega. No final das contas sabemos de quem ela realmente é, o que já não é novidade para quem tem o próprio nariz como ponto norte.
Sua culpa me transformou, a sua culpa me mudou, a sua culpa está me fazendo crescer a uma altura que tenho vontade de me jogar. Em conclusão, vejo me jogando de uma altura que me leve ao fim, ao fim da tua culpa, ao fim da minha vida. 


domingo, 5 de maio de 2013

Um Intruso Em Meu Silêncio


  
              
               Você está me incomodando em meu próprio silêncio. Onde quer que eu vá você está comigo, conversamos a todo instante, quando não, apenas olhamos um nos olhos do outro. Estou me cansando disto, estou me cansando de tudo isto.
                Acostumei-me a ser um doido que conversa apenas consigo mesmo, sou um doido normal, como os outros. O relacionamento comigo mesmo tem chegado ao ponto de eu estar noivo, noivo de si próprio. Agora quando estou só em meu silêncio, confesso que é a tua imagem que hoje me acompanha, poucas palavras tenho tido comigo mesmo. Hoje meu noivo, agora sendo um corno, apenas me olha com aquele olhar de “tome cuidado, olhe até onde você quer chegar”, que apenas eu conheço.
                Onde quer que eu vá você está comigo, conversamos a todo instante, quando não, apenas olhamos um nos olhos do outro. Agora o quê os teus olhos falam, eu não compreendo. Não sei se lhe conheço. Não é normal um louco conversar com outra imagem, louco que é louco conversa consigo mesmo, sem precedentes. Mas você é uma imagem ou uma terceira parte de mim? Não sei. Não sei exatamente qual é o lado da tua face que eu prefiro manter vivo nos meus momentos de silêncio.
                Estou me cansando disto, estou me cansando de tudo isto. Quero ficar em silêncio, não quero escutar nada, não quero conversar nada, não quero refletir nada. Perdi o respeito e a liberdade no meu silêncio, no meu espaço de amor comigo mesmo.
 Estou me traindo! Estou experimentando o gosto de desejar o próximo. Estou vivendo em um relacionamento a três. Estou me traindo e, estou gostando disto. Estou gostando de te ter como uma terceira pessoa, estou gostando de te ter como um amante no trocar de palavras.  Mas ainda continua me incomodando em meu silêncio.