domingo, 12 de agosto de 2012

Molduras Do Nosso Quadro


                 Na parede ainda restou aquele nosso quadro com o retrato de nós abraçados e sorrindo felizes. Sento-me na poltrona e dou aquele sorriso besta, um sorriso simples por ter lembrado de você. E olhando nossa foto lembro-me que naquele exato momento tudo que tínhamos era eu e você.
                 Nossas gargalhadas, nossos gritos, nossas brigas... tudo era válido, principalmente quando em meia brincadeira você pulava por cima de mim, segurava os meus braços e dizia: "Duvido você sair"; que logo em seguida vinha acompanhado de um beijo.
                 Ao fundo da nossa foto tem aquela cortina cor vinho que você tanto detestava e, ainda fazia questão de dizer todo os dias com um sorriso no rosto. Com aquele sorriso eu me sentia sendo irradiado por algo. Algo que me causava um Síndrome de Stendhal.
                 Ainda não me conformo como nós fomos vil de deixar o que era um se tornar dois. Me pergunto se um dia você dirá 'Eu te amo' sem o mínimo de remoço ou dúvida. Caso esse dia chegue, por favor, só me acorde quando o Peter Pan crescer.
                 E me encontro aqui, sentado no poltrona indagando como fomos vil em deixar o que era um se tornar dois.
                Em meia displicência reparo que hoje a moldura que enfeita o nosso quadro é mais bonita que a nossa história.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Sensações & Sentimentos


               Ao contrário do amor, a saudade é algo de ambígua sensação. Quando a saudade vem ao anoitecer, ela deita sobre meu corpo e sinto o tocar da tua pele.
              Teu sorriso é a lembrança perfeita do por-do-sol. Que saudade do entardecer que a tua boca me proporcionava. A tua imagem me consome numa quimera de emoções loucamente inenarráveis.
              Oh baby! Me toque pela última vez só por hoje.
              Oh darling! Me toque pela última vez quando acordarmos pela manhã , pela tarde, pelo anoitecer, pela madrugada... pela nossa vida. Sempre me toque pela última vez.
              Entre sensações e sentimentos há uma parte de mim e o que restou da imagem de você. A saudade numa ambiguidade carnal e emocional, assombram tua existência em minha memória.
              Mas ainda sinto o teu corpo vívido tocando o meu, e  isto é uma saudade numa mistura de sensações e sentimento.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Luxúria


Com os olhos em chamas jogo-me do penhasco da tua imagem.
Toco o que há de mais sagrado. Tua alma.
E por fim deito-me sobre tua pele.

Um anjo de alma pura,
corrompida por luxúria.
Assim começou a guerra santa no céu do nosso desejo.

A cada impacto era o teu corpo querendo mais e mais.
O riso era um delírio coletivo,
a cada sombra era um personagem que gemi e ri!

Fome, cansaço e sede.
O que ontem era gelo,
hoje são dois desertos escaldantes na ventania se encontrando.
Se eu deliro... ou se é verdade?!

Só a esfinge que vejo em teu olhar pode dizer,
qual é o segredo que esconde dentro de você?


segunda-feira, 4 de junho de 2012

4


                       Vejo minha vida com quatro cantos, quatro faces, quatro sentimento e quatro profundidades. Vejo-me como outro nunca viu, vejo aquilo que não deveria se ver, vejo tudo aquilo que não existe.
                        Foram descrevidos quatro sentimentos ao meu respeito, mesmo eu sentindo apenas um. Construíram quatro cantos ao redor do meu infinito, sem nem ao menos eu existir. Desenharam minhas quatro faces e, eu ainda nem descobri como é a minha de fato. Ao largo dos acontecimentos caí. Caí em quatro profundidades altas de coexistência particular.
                        Meu mergulho nos quatro mistérios foi de um contundente estigma. Não queria ser salvo, não queria ser visto, não queria ser ajudado e muito menos... esquecido.
                       Se não me falha a memória tinha a sensação de água doce e o gosto dos sete mares. Mergulhando em pensamentos de acquamores, borbulhas me acariciavam enquanto as correntes d'água me dissuadiam.
                      Então, eis que se revela o mistério das quatro faces. Eram faces absoledas, criadas de um devaneio holístico refletida sobre as mão cheias d'água refletidas como espelho que, assim, iriam de encontro a terra escorregando pelos dedos. Senti quatro sentimentos que pude analisar, chego a conclusão de apenas um monólogo sentimental que foi dividido mediante a conturbações de momento.
                      Um labirinto de quatro cantos se ergue em minha frente, demonstrando que em cada canto há um arte esculpida por mão de anjos e amantes. As quatro paredes deram uma profundidade de quatro subsídios, onde até hoje continuo me afogando sem a intenção de ser salvo, visto, ajudado e não esquecido.
                     

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Sentença


                Homens! Jogue-o no calabouço, para que lá esteja condenado a viver os teus últimos dias como um animal. Lá irá se alimentar de dor e arrependimento e beber de suas próprias lágrimas. Será preso com uma inviolabilidade de sete chaves e três portas, e agonizará em paredes e terra infértil como um homem híbrido que é. Homens! Fazei-o um leigo, transformará tua dor em amiga, e terá um respaldo na escuridão como um consolo.
                De forma insalubre irá viver assim como teus pensamentos. Jogado ao cubo escuro estará condenado a enlouquecer sobre tua quimera, e teu decrépito acalmado. Homens! Acatai esta ordem de sentença marcada e dada, e ele será o único a ser sentida.
                “Se tua pólvora não queimasse uma vida; tua ambição não esvaziasse um estômago; tua falta de educação não poluísse o chão e o ar; a falsa crença não se aproveitasse da ignorância e carência alheias para fazer seu ‘pé de meia’; tua esperteza não dobraria a minha carga horária de trabalho.”
                Homens! Este persecutor passará três meses neste calabouço sem ver se quer um fecho de luz. Não comerás, não beberás e não falará mais do que o teu arrependimento não possa saciar. Ao termino deste período ele será levado ao pátio de olhos vendados, onde o farão abrir os olhos e olhar para o sol escaldante do meio-dia, assim, a sentença será cumprida com vigor. A partir deste momento, ele não poderá ver e nem cobiçar o que não lhe compete.

E o 11º mandamento dizia: Não prejudicai o próximo em seu bel prazer ou interesse.

sábado, 10 de março de 2012

Profanando Teu Corpo


           Tudo aconteceu de forma tão natural que a imaginação não deixa pensar além do que foi perfeito. Seus olhos pediam meu corpo, mas meu corpo queria era uma caipirinha, sal e seu mamilo em minha boca.
           Num minuto nossas mãos foram rastejando-se em nossos corpos como cobras do fruto pecado, e a resposta era dada em forma de olhares e sensações térmicas. Sua boca aclamava por um grito de pura luxúria, o que aguçava a vontade de matar meu bel prazer. Minha língua profanando teu corpo aguça meu instinto primata. Com o olhar sobre minha caça, minha preza, meu prazer... eu fui desvendando todos os segredos que só teu olhar poderia guardar, e que pude achar nos poros do teu corpo.
          Em sua boca devorei toda tua inocência, peguei tua maldade e inclui o novo. Nossa mente já entorpecente nos deixava ir além do que queríamos, caminhos eram traçados e prazeres eram vociferados de nossos corpos. 
          E eu vivia em uma verdadeira quimera, onde você sempre se manteria distante. Mas meu desejo trivial é querer o sentimento intrínseco guardado dentro de você para mim. E noite a fora foi se construindo uma coisa ainda nova para mim, um rosto antigo se enquadrando a um novo, desejos eram retribuídos em forma de descoberta.
          Depois da partida, algo ficou... acho que foi a esperança de algo que sempre quis ter. Mas o meu querer ainda se resume em uma caipirinha, sal e seu mamilo em minha boca.  

sábado, 3 de março de 2012

Seu olhar

       
         Horas se passam, o tempo anda, corre, voa e para exatamente quando olho no fundo dos teus olhos, como nesse instante. Tudo congela e, revela-se a íris dos olhos de Deus. Me sinto caindo dentro dos teus olhos, e eram como águas, tinha a sensação de cair no meio do nada de um oceano negro.
         Nossa quanta imensidão para apenas um olhar, mas mesmo assim, banhava-me naquelas águas negras que eram teus olhos. O seu piscar era como um leve anoitecer sobre meu banho, mas logo vinha novamente a luz que emanava de seu sorriso exaltando o brilho de tua pele nobre... isso exaltava meu banhar. Ali me sinto a pessoa mais limpa do mundo, eram águas de luxuria, amor e desprezo que regojiza meu sentimento pelas suas águas negras.
         Mas num certo momento suas águas começaram a esvaziar e cair num penasco, formando uma triste cachoeira onde eu descia de olhos fechados,  sentindo toda sua água agora branca. Quando abro os olhos me vejo em sua boa, onde pela única vez posso saber o que é sentir beijar seu lábios. E isso tudo acontece em um segundo, o único segundo que para exatamente quando olho no fundo dos teus olhos.