segunda-feira, 4 de junho de 2012

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                       Vejo minha vida com quatro cantos, quatro faces, quatro sentimento e quatro profundidades. Vejo-me como outro nunca viu, vejo aquilo que não deveria se ver, vejo tudo aquilo que não existe.
                        Foram descrevidos quatro sentimentos ao meu respeito, mesmo eu sentindo apenas um. Construíram quatro cantos ao redor do meu infinito, sem nem ao menos eu existir. Desenharam minhas quatro faces e, eu ainda nem descobri como é a minha de fato. Ao largo dos acontecimentos caí. Caí em quatro profundidades altas de coexistência particular.
                        Meu mergulho nos quatro mistérios foi de um contundente estigma. Não queria ser salvo, não queria ser visto, não queria ser ajudado e muito menos... esquecido.
                       Se não me falha a memória tinha a sensação de água doce e o gosto dos sete mares. Mergulhando em pensamentos de acquamores, borbulhas me acariciavam enquanto as correntes d'água me dissuadiam.
                      Então, eis que se revela o mistério das quatro faces. Eram faces absoledas, criadas de um devaneio holístico refletida sobre as mão cheias d'água refletidas como espelho que, assim, iriam de encontro a terra escorregando pelos dedos. Senti quatro sentimentos que pude analisar, chego a conclusão de apenas um monólogo sentimental que foi dividido mediante a conturbações de momento.
                      Um labirinto de quatro cantos se ergue em minha frente, demonstrando que em cada canto há um arte esculpida por mão de anjos e amantes. As quatro paredes deram uma profundidade de quatro subsídios, onde até hoje continuo me afogando sem a intenção de ser salvo, visto, ajudado e não esquecido.
                     

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Sentença


                Homens! Jogue-o no calabouço, para que lá esteja condenado a viver os teus últimos dias como um animal. Lá irá se alimentar de dor e arrependimento e beber de suas próprias lágrimas. Será preso com uma inviolabilidade de sete chaves e três portas, e agonizará em paredes e terra infértil como um homem híbrido que é. Homens! Fazei-o um leigo, transformará tua dor em amiga, e terá um respaldo na escuridão como um consolo.
                De forma insalubre irá viver assim como teus pensamentos. Jogado ao cubo escuro estará condenado a enlouquecer sobre tua quimera, e teu decrépito acalmado. Homens! Acatai esta ordem de sentença marcada e dada, e ele será o único a ser sentida.
                “Se tua pólvora não queimasse uma vida; tua ambição não esvaziasse um estômago; tua falta de educação não poluísse o chão e o ar; a falsa crença não se aproveitasse da ignorância e carência alheias para fazer seu ‘pé de meia’; tua esperteza não dobraria a minha carga horária de trabalho.”
                Homens! Este persecutor passará três meses neste calabouço sem ver se quer um fecho de luz. Não comerás, não beberás e não falará mais do que o teu arrependimento não possa saciar. Ao termino deste período ele será levado ao pátio de olhos vendados, onde o farão abrir os olhos e olhar para o sol escaldante do meio-dia, assim, a sentença será cumprida com vigor. A partir deste momento, ele não poderá ver e nem cobiçar o que não lhe compete.

E o 11º mandamento dizia: Não prejudicai o próximo em seu bel prazer ou interesse.

sábado, 10 de março de 2012

Profanando Teu Corpo


           Tudo aconteceu de forma tão natural que a imaginação não deixa pensar além do que foi perfeito. Seus olhos pediam meu corpo, mas meu corpo queria era uma caipirinha, sal e seu mamilo em minha boca.
           Num minuto nossas mãos foram rastejando-se em nossos corpos como cobras do fruto pecado, e a resposta era dada em forma de olhares e sensações térmicas. Sua boca aclamava por um grito de pura luxúria, o que aguçava a vontade de matar meu bel prazer. Minha língua profanando teu corpo aguça meu instinto primata. Com o olhar sobre minha caça, minha preza, meu prazer... eu fui desvendando todos os segredos que só teu olhar poderia guardar, e que pude achar nos poros do teu corpo.
          Em sua boca devorei toda tua inocência, peguei tua maldade e inclui o novo. Nossa mente já entorpecente nos deixava ir além do que queríamos, caminhos eram traçados e prazeres eram vociferados de nossos corpos. 
          E eu vivia em uma verdadeira quimera, onde você sempre se manteria distante. Mas meu desejo trivial é querer o sentimento intrínseco guardado dentro de você para mim. E noite a fora foi se construindo uma coisa ainda nova para mim, um rosto antigo se enquadrando a um novo, desejos eram retribuídos em forma de descoberta.
          Depois da partida, algo ficou... acho que foi a esperança de algo que sempre quis ter. Mas o meu querer ainda se resume em uma caipirinha, sal e seu mamilo em minha boca.  

sábado, 3 de março de 2012

Seu olhar

       
         Horas se passam, o tempo anda, corre, voa e para exatamente quando olho no fundo dos teus olhos, como nesse instante. Tudo congela e, revela-se a íris dos olhos de Deus. Me sinto caindo dentro dos teus olhos, e eram como águas, tinha a sensação de cair no meio do nada de um oceano negro.
         Nossa quanta imensidão para apenas um olhar, mas mesmo assim, banhava-me naquelas águas negras que eram teus olhos. O seu piscar era como um leve anoitecer sobre meu banho, mas logo vinha novamente a luz que emanava de seu sorriso exaltando o brilho de tua pele nobre... isso exaltava meu banhar. Ali me sinto a pessoa mais limpa do mundo, eram águas de luxuria, amor e desprezo que regojiza meu sentimento pelas suas águas negras.
         Mas num certo momento suas águas começaram a esvaziar e cair num penasco, formando uma triste cachoeira onde eu descia de olhos fechados,  sentindo toda sua água agora branca. Quando abro os olhos me vejo em sua boa, onde pela única vez posso saber o que é sentir beijar seu lábios. E isso tudo acontece em um segundo, o único segundo que para exatamente quando olho no fundo dos teus olhos.


quinta-feira, 1 de março de 2012

Sua Negação


Sua negação não foi a minha surpresa, minha surpresa é saber que diante de qualquer obstáculo da vida você prefere vociferar a ignorância. 
Vejo-o cair em um abismo, onde a única volta é desconhecida e o perdão não tem peso nenhum. Diante disso prefiro ter um respaldo em minha consciência, pois o coração de nada sabe ou faz além de bater. Venho durante anos fazendo de mim uma pessoa contundente, acariciando meus estigmas e saboreando o displicente.
Não sinto mais minhas pernas, não sinto mais meus braços e também não sinto mais você. Será isso o fim, ou o início de um novo ciclo de minha vida? As vezes prefiro me manter mônico diante do que foi nossa situação. De sinceras palavras solúvel lhe digo um adeus, que vai se dissolvendo até não restar mais nada do que já não tinha.
Suas conjecturas sobre mim não me abalam, seus olhos não me dizem nada, seu corpo nada me transmite, seu martírio já não escuto, seu nome já não sinto e suas mãos prefiro que não me toquem.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Meu Éden


Caminhando eu vou com o meu melhor amigo entre os dedos, é uma vontade de chegar a lugar nenhum. À frente vejo o portão do meu coração.
A porta está aberta, mas só poderá passar meia pessoa de cada vez. Depois de muitos atentados, estão tentando aumentar a segurança, o último fez um estrago que deixou parte do lugar ainda com a química ativa.
Dificuldades tive muitas para entrar, mas se este é o melhor remédio para evitar novos mártires, então que assim seja. Há sentinelas na porta, mas quem vigiará os que vigiam? Pois meu coração teve muitos traidores que abriram a porta para o amor.
Mas ainda prefiro que meu coração feche os portões de vez, assim, não correremos mais o risco de uma catástrofe. Mas é trivial de minha parte não reconhecer, que precisamos estar sempre abertos à visitação. Mas prefiro dissuadir eu mesmo, com a velha história de que “irá ficar tudo bem”. 


sábado, 4 de fevereiro de 2012

Rock N' Roll


Mais uma noite encostado no carro de alguém, vestindo calça jeans, camiseta branca e uma jaqueta de couro entre os ombros como uma cena de filme. "É! Vamos entrar". Assim converso com o meu melhor amigo, eu.
Festa estranha e gente esquisita, mas ali era o meu lugar. Sinto a vibração da bateria, e o arranhar da guitarra em minha alma. "Mais uma noite de Rock cara!". Grito para mim mesmo, erguendo um como de whisky.
O rock começou, e fui me deixando levar pela vibração do meu chamado. Entre pessoas estranhas na festa esquisita, estava eu lá levado pelo som. O que a música não nos faz... Me senti contente como uma criança, e como uma boa reunião das crianças não podia faltar a famosa bala.
Luzes coloridas começaram a se acender no meio da pista de contemplação do rock. "Hey garota de onde..." . Delírios de conhecidos apareciam em minha frente. Um delírio masculino com o um molde de corpo feminino, mas nada era ele, só aparência.
Na levada do rock a noite vai caindo, e vou tentando caminhar para minha casa. Caminho ainda no delírio do mundo infantil, e com a enlouquecia de escutar a voz dele.
O dia amanhece e lá vou eu... me preparando para mais um dia de rock.